Caso real · Elétrica

Ar-condicionado 24000 BTUs: fio e disjuntor em 220 V

Um salão de festas no fundo do quintal, 40 m² de área e um split de 24000 BTUs. O cabo sai do quadro da casa e percorre 25 m até a condensadora. Pela conta mínima o 2,5 mm² passa, mas por pouco. Vale a pena ficar nele?

Ar-condicionado 24000 BTUs: fio e disjuntor em 220 V

O caso: split inverter de 24000 BTUs, 220 V, corrente máxima de placa de 17 A (valor típico da faixa), 25 m de cabo do quadro à condensadora, cobre com isolação de PVC em eletroduto embutido (método B1).

Resposta curta: disjuntor de 20 A curva C e cabo de 2,5 mm² passam na conta, com queda de 3,48%, muito perto do limite de 4%. Nesta distância, a escolha recomendada é 4 mm²: a queda cai para 2,17% e o circuito já aceita o disjuntor de 25 A que muitos manuais pedem.

Unidade externa de ar-condicionado presa na lateral de um prédio
Figura 1. Uma condensadora de 24000 BTUs puxa perto de 17 A no pico: o cabo precisa ser escolhido com margem. Foto: Muhammed Faizan Hussain / Unsplash
Quadro20 A curva CDR 30 mA4 mm²25 mSplit 24000 BTUs220 VQueda de tensão 2,17 %
Figura 2. Configuração recomendada para o salão: cabo de 4 mm² nos 25 m, queda de 2,17 % e disjuntor de 20 A, que pode subir para 25 A sem trocar o cabo.

1. A corrente que manda no circuito

Na capacidade nominal, um split de 24000 BTUs consome cerca de 2200 W, ou 10,0 A em 220 V. A placa, porém, informa uma corrente máxima maior, em torno de 17 A neste exemplo, que é o que o aparelho puxa quando o compressor inverter acelera em dia de calor forte. O dimensionamento parte desse valor.

A corrente de 17 A tem duas consequências imediatas:

  • passa de 10 A, então a NBR 5410 exige circuito independente para o aparelho;
  • não existe 24000 BTUs residencial em 127 V na prática, porque a corrente passaria de 29 A.

2. Disjuntor de 20 A ou de 25 A?

Pela conta, o primeiro valor padronizado acima de 17 A é 20 A. Vários fabricantes, contudo, recomendam 25 A para essa capacidade, para dar folga à partida e às variações de rede. As duas escolhas são válidas, mas não com o mesmo cabo:

Disjuntor Seção mínima pela capacidade (B1) Capacidade do cabo
20 A 2,5 mm² 24 A
25 A 4 mm² 32 A
32 A 4 mm² 32 A

O cabo de 2,5 mm² conduz 24 A no método B1. Com disjuntor de 25 A ele ficaria desprotegido numa sobrecarga moderada, porque o disjuntor deixaria passar mais do que o cabo aguenta. Disjuntor de 25 A pede, no mínimo, 4 mm².

3. Quanto a tensão cai em 25 m

ΔV = 2 × L × I × ρ ÷ S, com ρ = 0,0225 Ω·mm²/m:

Seção Queda (V) Queda (%) Situação
2,5 mm² 7,65 V 3,48% Passa, sem margem
4 mm² 4,78 V 2,17% Folga confortável
6 mm² 3,19 V 1,45% Mais do que o necessário

O cabo de 2,5 mm² atinge os 4% a cerca de 29 m com 17 A. Bastaria o percurso real ter 4 m a mais do que o medido para ele ser reprovado. Já o 4 mm² vai até uns 46 m.

0,02,44,87,29,612,001530456075Comprimento do cabo (m)Queda (%)25 m2,5 mm²4 mm²6 mm²limite 4 %
Figura 3. Queda de tensão do split de 24000 BTUs (17 A em 220 V). Aos 25 m o 2,5 mm² está a poucos décimos do limite; o 4 mm² sobra.

4. Tabela por distância

O que a calculadora indica, sem margem extra, para 17 A em 220 V:

Comprimento Cabo mínimo Disjuntor Queda
10 m 2,5 mm² 20 A 1,39%
20 m 2,5 mm² 20 A 2,78%
25 m 2,5 mm² 20 A 3,48%
30 m 4 mm² 20 A 2,61%
40 m 4 mm² 20 A 3,48%
50 m 6 mm² 20 A 2,90%
60 m 6 mm² 20 A 3,48%

Uma regra prática que sai da tabela: para 24000 BTUs em 220 V, até uns 20 m o 2,5 mm² resolve com folga; entre 20 e 46 m, 4 mm²; acima disso, 6 mm².

5. O cabo também consome energia

Todo cabo dissipa calor proporcional ao quadrado da corrente. Com o compressor no pico, os 25 m de circuito perdem:

2,5 mm²130 W W4 mm²81 W W6 mm²54 W W
Figura 4. Potência dissipada nos 25 m de cabo com 17 A. Subir de 2,5 para 4 mm² corta essa perda em cerca de 38 %.

São números pequenos diante dos 2200 W do aparelho, mas se acumulam. Supondo 6 horas de uso por dia, 30 dias e o compressor em média a 60% do pico, trocar 2,5 por 4 mm² economiza algo como 5,3 kWh por mês só em perdas no cabo. Não é o argumento principal, e sim um bônus do cabo mais grosso.

Montagem de quadro elétrico com disjuntores e fiação
Figura 5. Antes de somar um circuito de 20 ou 25 A, confira se o quadro e o disjuntor geral comportam a carga extra. Foto: Troy Bridges / Unsplash

6. O quadro e o padrão de entrada aguentam?

Somar um aparelho de 2,2 kW (com picos acima disso) muda o balanço da casa. Antes de puxar o circuito:

  • Disjuntor geral: some as cargas que costumam funcionar juntas no fim de tarde (chuveiro, forno, ar) e compare com a corrente do disjuntor geral. Se a soma encostar nele, o ar vai derrubar a casa inteira no dia mais quente.
  • Categoria de atendimento: a distribuidora define o disjuntor do padrão de entrada pela categoria contratada. Aumentar carga de forma relevante pode exigir pedido de alteração.
  • Equilíbrio de fases: em casa com duas ou três fases, distribua os circuitos de 220 V pesados entre fases diferentes.
  • Espaço no quadro: um disjuntor bipolar ocupa duas posições, e o DR também ocupa espaço.

Ligação direta ou tomada?

Em capacidades menores é comum o ar vir com plugue. No 24000 BTUs, prefira ligação direta do circuito à caixa de bornes da condensadora (ou da evaporadora, conforme o manual). As tomadas do padrão brasileiro (NBR 14136) são de 10 A e 20 A; com 17 A contínuos durante horas, uma tomada de 20 A trabalha perto do limite, e qualquer contato frouxo vira ponto quente. Se o fabricante fornecer o aparelho com plugue, use tomada de 20 A de boa qualidade, exclusiva, em caixa própria, e inspecione o contato no primeiro mês.

7. Placa e manual: o que conferir

  • Corrente máxima de funcionamento em resfriamento e, se o modelo for quente/frio, em aquecimento. Use a maior.
  • Disjuntor recomendado. Se for 25 A, o cabo é 4 mm² no mínimo.
  • Seção do cabo de alimentação sugerida pelo fabricante e em qual unidade ela entra.
  • Faixa de tensão de operação aceita pela placa eletrônica.
  • Seção e número de vias do cabo de interligação entre evaporadora e condensadora, que é outro cabo.

8. Checklist de instalação

  1. Medir o percurso real, com subidas e descidas, e somar 1 m de sobra.
  2. Confirmar a tensão (220 V entre fases ou fase-neutro, conforme a região).
  3. Puxar circuito exclusivo de 4 mm², com terra da mesma seção.
  4. Instalar disjuntor curva C de 20 A ou 25 A, conforme o manual.
  5. Instalar DR de 30 mA para o circuito.
  6. Montar a caixa de ligação externa vedada, com prensa-cabos voltado para baixo.
  7. Depois de uma hora no máximo, conferir temperatura de disjuntor, DR e bornes.

9. Sinais de que o circuito está no limite

  • O disjuntor de 20 A desarma só nas tardes mais quentes, depois de 20 ou 30 minutos com o ar no máximo: é disparo térmico por sobrecarga, não curto.
  • A evaporadora mostra erro de subtensão ou o compressor perde rotação quando outra carga pesada da casa liga.
  • O isolamento do cabo perto do disjuntor está amolecido ou com a cor alterada.
  • A tensão medida na condensadora, com o aparelho no pico, fica mais de 8,8 V abaixo da tensão do quadro (é o que equivale aos 4% em 220 V).

Qualquer um desses sintomas pede medição de corrente com alicate amperímetro e revisão dos bornes antes de qualquer troca de disjuntor.

10. Erros comuns

  • "Já tinha 2,5 mm² passado no eletroduto, aproveitei." Para 25 m e 17 A ele passa raspando; qualquer metro a mais o reprova, e com 25 A no disjuntor ele fica desprotegido.
  • Trocar o disjuntor de 20 A por 25 A porque "está desarmando", sem trocar o cabo.
  • Derivar o ar do circuito do chuveiro ou de outro circuito pesado que passe perto.
  • Não fazer o balanço de carga do quadro e descobrir o problema no primeiro verão.

11. Perguntas frequentes

O 2,5 mm² é proibido para 24000 BTUs? Não. Até cerca de 29 m e com disjuntor de 20 A ele atende à norma. Nos 25 m do caso fica com 3,48% de queda, o que deixa pouca margem.

Até onde vai o 4 mm²? Cerca de 46 m com 17 A. A 60 m a calculadora já pede 6 mm².

Posso usar disjuntor de 32 A com 4 mm²? Pela capacidade de 32 A do cabo, sim, mas não faz sentido: o aparelho não puxa isso, e um disjuntor maior que o necessário demora mais a reagir a uma sobrecarga real. Fique com 20 ou 25 A.

Preciso de DR em um aparelho que fica no alto da parede? Sim. A condensadora fica na área externa, exposta à chuva, e o DR é a proteção contra choque do circuito.

E se o salão ficar a 50 m? A calculadora indica 6 mm² e disjuntor de 20 A, com queda de 2,90%.

12. Resumo

Item Resultado
Corrente nominal 10,0 A
Corrente máxima típica 17 A
Disjuntor 20 A curva C (25 A com cabo de 4 mm²)
Cabo mínimo em 25 m 2,5 mm² (3,48% de queda)
Cabo recomendado em 25 m 4 mm² (2,17% de queda)
Proteção extra DR 30 mA

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Fontes e referências

  1. ABNT NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão capacidade de condução por seção (método B1), coordenação entre disjuntor e cabo e queda de 4 % em circuitos terminais
  2. IEC 60898-1 – Circuit-breakers for overcurrent protection for household and similar installations curva C e marcação de corrente nominal e capacidade de interrupção
  3. IEC 60335-2-40 – Particular requirements for electrical heat pumps, air-conditioners and dehumidifiers informações elétricas obrigatórias na placa e no manual do aparelho
  4. Calculadora de bitola de fio do SizeBench seção, disjuntor e queda para a corrente e a distância do caso

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