Caso real · Elétrica

Bomba de piscina 1 cv: fio e disjuntor em 127 e 220 V

A piscina ficou pronta e a casa de máquinas está a 15 m do quadro. O motor da bomba de 1 cv é bivolt, e o instalador pergunta se liga em 127 V ou em 220 V. A resposta muda o disjuntor, a partida e até o comportamento das luzes da casa.

Bomba de piscina 1 cv: fio e disjuntor em 127 e 220 V

O caso: bomba de filtragem de 1 cv com motor monofásico bivolt (127/220 V), casa de máquinas a 15 m do quadro, cabos de cobre com isolação de PVC em eletroduto (método B1). Adotamos 1100 W de potência elétrica e fator de potência 0,8, os mesmos valores das calculadoras do SizeBench. Corrente de partida suposta de 6 vezes a nominal.

Resposta curta: em 220 V, a bomba puxa 6,2 A: cabo de 2,5 mm², disjuntor bipolar de 10 A curva C e DR de 30 mA. Em 127 V, a corrente sobe para 10,8 A e o disjuntor prático passa a ser de 16 A, com partida bem mais pesada para a instalação.

Água azul e limpa de piscina com faixas no fundo
Figura 1. Água limpa depende de horas de filtragem por dia, e é esse tempo de funcionamento que torna a bomba uma das cargas de maior consumo da casa. Foto: Thomas Park / Unsplash
Quadro10 A · CDR 30 mA2,5 mm²15 mBomba 1 cv220 V · 2 fasesQueda de tensão 0,77 %
Figura 2. O circuito recomendado: disjuntor bipolar de 10 A curva C, DR de 30 mA e 15 m de cabo de 2,5 mm² até a casa de máquinas.

1. Do cv da placa à corrente no cabo

O "1 cv" do motor é a potência mecânica no eixo: 735,5 W. Para entregar isso, o motor puxa mais da rede, porque parte vira calor no enrolamento e no ferro. Com 1100 W de entrada, o rendimento implícito é de 67 %, típico de motores monofásicos pequenos.

Além disso, o motor tem fator de potência menor que 1. A corrente sai de:

I = P ÷ (V × FP)

Tensão Conta Corrente nominal
127 V 1100 ÷ (127 × 0,8) 10,8 A
220 V 1100 ÷ (220 × 0,8) 6,25 A

Esses valores são estimativas. A corrente real está na placa do motor e deve prevalecer sobre qualquer suposição.

2. O cabo: 2,5 mm² nos dois casos

Pela corrente, qualquer seção a partir de 1,5 mm² bastaria. Mas a NBR 5410 fixa 2,5 mm² como mínimo para circuitos de força, e é isso que a calculadora devolve nas duas tensões. Nos 15 m do caso, a queda em funcionamento normal fica em:

  • 2,30 % em 127 V;
  • 0,77 % em 220 V.

Ambas abaixo de 4 %. Em regime, a bomba não é um problema para o cabo. O problema está na partida.

3. A partida: onde 127 V e 220 V se separam

127 V · nominal10,8 A A127 V · partida65 A A220 V · nominal6,2 A A220 V · partida38 A A
Figura 3. Corrente da bomba de 1 cv em funcionamento e na partida (suposição de 6 vezes a nominal). Em 127 V o pico chega a 65 A.

Ao ligar, o motor parado puxa uma corrente várias vezes maior que a nominal por uma fração de segundo. Isso afeta duas coisas:

O disjuntor. O disparo magnético (instantâneo) da curva C fica entre 5 e 10 vezes a corrente nominal do disjuntor. Em 127 V, um disjuntor de 13 A dispararia a partir de 65 A, e o pico de partida de cerca de 65 A cai dentro dessa faixa. Por isso recomendamos 16 A curva C em 127 V (disparo magnético a partir de 80 A), o que ainda é coordenado com o cabo de 2,5 mm² (24 A). Em 220 V, o pico de 38 A fica abaixo dos 50 A do disjuntor de 10 A curva C.

A tensão. Durante a partida, a queda no cabo multiplica junto com a corrente:

Ligação Cabo Queda na partida
127 V 2,5 mm² 13,8 %
127 V 4 mm² 8,6 %
220 V 2,5 mm² 4,6 %
08162432400816243240Distância quadro–bomba (m)Queda na partida (%)15 m2,5 mm² em 127 V4 mm² em 127 V2,5 mm² em 220 Vreferência 10 %
Figura 4. Queda de tensão no instante da partida. Em 127 V, o cabo de 2,5 mm² passa de 10 % já nos 15 m do caso; em 220 V, a partida mal aparece.

A NBR 5410 também trata da queda durante a partida de motores, com 10 % como referência nos terminais do dispositivo de partida. Em 127 V com 2,5 mm², o caso fica acima disso; seria preciso 4 mm². Em 220 V, o 2,5 mm² resolve com folga. Na prática, a diferença aparece como lâmpadas que piscam toda vez que o temporizador liga a bomba.

4. Por que preferir 220 V

  • corrente 1,73 vezes menor no cabo, no temporizador e nos contatos;
  • partida que não perturba o resto da casa;
  • disjuntor de 10 A em vez de 16 A;
  • queda de tensão em regime de 0,77 % contra 2,30 %.

Motores bivolt mudam de tensão por jumpers na caixa de ligação. O esquema fica na tampa ou na placa. Ligar a bomba configurada para 127 V numa rede de 220 V queima o enrolamento em minutos.

Escada de aço inox na borda de uma piscina
Figura 5. Escadas, grades e outras partes metálicas da piscina entram na ligação equipotencial junto com a carcaça da bomba. Foto: Enis Yavuz / Unsplash

5. Piscina tem regras próprias

A NBR 5410 dedica uma seção inteira às piscinas. Os pontos que afetam diretamente a bomba:

  • DR de 30 mA obrigatório no circuito da bomba e nos demais circuitos que atendem a área da piscina.
  • Ligação equipotencial suplementar: carcaça da bomba, filtro metálico, escadas, grades, armadura do concreto e demais partes metálicas interligadas por condutor de proteção.
  • Volumes (zonas) ao redor da piscina: limitam o tipo de equipamento elétrico permitido perto da água. A bomba fica na casa de máquinas, fora deles; tomadas e iluminação perto da borda seguem regras mais restritas.
  • Casa de máquinas seca e ventilada: vazamento no filtro é comum; o motor e as conexões devem ficar acima do ponto mais baixo do piso, onde a água se acumula.

6. Temporizador, contator e comando

A maioria das bombas é ligada por um temporizador. Confira a corrente máxima dos contatos dele, que normalmente é informada para carga resistiva e para carga de motor separadamente. Se a capacidade para motor for menor que a corrente da bomba, use o temporizador para comandar um contator, e o contator para ligar a bomba.

Em 220 V, o temporizador e o contator precisam interromper as duas fases, não só uma. Um contato unipolar deixa o motor desligado, mas com uma fase presente nos bornes, o que surpreende quem abre a caixa de ligação para trocar o capacitor. Antes de qualquer manutenção, desligue o disjuntor bipolar no quadro.

7. Como ler a placa do motor da bomba

  • Potência (cv ou kW): potência no eixo.
  • Tensão e corrente: dois pares, um para 127 V e outro para 220 V, no motor bivolt. A corrente da tensão escolhida é a que vai para a conta.
  • FS (fator de serviço): quanto o motor tolera de sobrecarga contínua. Não use o FS para justificar disjuntor maior.
  • Ip/In: relação entre a corrente de partida e a nominal, quando informada. Substitui a suposição de 6 vezes deste guia.
  • Grau de proteção (IP) e esquema de ligação dos jumpers.

8. Quanto a bomba consome

O consumo depende das horas de filtragem por dia. Suposição: bomba sempre a 1100 W, 30 dias por mês.

Horas por dia Energia por mês
4 h 132 kWh
6 h 198 kWh
8 h 264 kWh
10 h 330 kWh

A tensão não muda esse número: o motor consome a mesma energia em 127 V ou em 220 V. O que muda é a corrente e as perdas no cabo.

9. Sinais de problema

  • bomba que ronca e demora a girar: capacitor fraco ou tensão baixa na partida;
  • disjuntor que desarma no instante em que o temporizador liga: curva ou corrente nominal inadequadas;
  • DR que desarma depois de chuva: umidade na caixa de ligação ou no motor;
  • motor muito quente ao toque depois de horas de filtragem.

10. Erros comuns

  • Ligar a bomba numa tomada comum com extensão até a casa de máquinas.
  • Dispensar o DR "porque a bomba fica longe da água".
  • Usar disjuntor curva B em motor: o disparo magnético começa em 3 vezes a corrente nominal, e a partida o derruba.
  • Esquecer a equipotencialização da piscina e confiar só no terra da tomada.

11. Perguntas frequentes

Posso usar 1,5 mm² se a corrente é só 6,2 A? Não. O mínimo para circuitos de força é 2,5 mm².

E se a casa de máquinas estiver a 40 m? Em 220 V, a calculadora ainda indica 2,5 mm² com queda de 2,05 %. Em 127 V, 4 mm² e a partida pesando ainda mais.

Uma bomba de 1/2 cv muda muito? A corrente cai para perto de 3,7 A em 220 V. Cabo e DR continuam os mesmos.

A bomba pode dividir circuito com a iluminação da piscina? Não é boa ideia. A iluminação subaquática tem regras próprias de tensão e de proteção, e a partida do motor perturbaria as luminárias. Cada uma com seu circuito, ambos com DR.

O que acontece se eu deixar 127 V com 2,5 mm²? A bomba funciona, mas cada partida derruba a tensão em 13,8 % no motor e piora a vida do capacitor de partida. Se não der para mudar para 220 V, use 4 mm² e disjuntor de 16 A curva C.

Preciso de disjuntor-motor? Para uma bomba residencial com protetor térmico embutido, o disjuntor termomagnético curva C costuma bastar. Motores sem proteção própria pedem relé térmico ou disjuntor-motor.

12. Resumo

Item 127 V 220 V
Corrente nominal 10,8 A 6,2 A
Cabo 2,5 mm² (4 mm² pela partida) 2,5 mm²
Disjuntor 16 A curva C 10 A curva C, bipolar
Queda em regime 2,30 % 0,77 %
Queda na partida 13,8 % 4,6 %
Proteção extra DR 30 mA DR 30 mA

Com a corrente da placa e a distância real em mãos, refaça a conta na calculadora de bitola. A instalação elétrica de piscinas deve ser feita por eletricista habilitado.

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Fontes e referências

  1. ABNT NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão requisitos para piscinas (volumes, DR e equipotencialização), circuitos de motores e capacidade dos condutores
  2. ABNT NBR 17094-1 – Máquinas elétricas girantes – Motores de indução dados de placa do motor: potência, corrente, fator de serviço e relação entre corrente de partida e nominal
  3. IEC 60898-1 – Circuit-breakers for overcurrent protection for household and similar installations faixas de disparo magnético das curvas B e C
  4. IEC 60364-7-702 – Requirements for special installations or locations: swimming pools and fountains base internacional das regras de instalação elétrica em piscinas
  5. Calculadora de bitola de fio do SizeBench a mesma conta de corrente, cabo e queda deste guia

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Como fizemos este guia

Todos os números deste guia são calculados pelo mesmo código das nossas calculadoras, a partir das normas listadas acima, e a página é testada antes de ser publicada. A Equipe SizeBench pesquisou, escreveu e revisou o texto; usamos automação e IA para ajudar na redação, nunca para gerar os números. Nossa metodologia →

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